Reforma Tributária: o que muda no varejo e como preparar seu negócio




A maior transformação tributária das últimas décadas chegou, e vai mudar totalmente/intensamente a forma como o varejo brasileiro lida com impostos. Se você tem supermercado, loja de materiais de construção, franquia, atacarejo ou qualquer outro negócio varejista, essa mudança vai bater direto no seu caixa.

A Reforma Tributária do Consumo, aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, substitui cinco tributos que hoje complicam a vida do empresário por um sistema de cobrança mais simples, transparente e alinhado às práticas internacionais.

 

Por que a reforma é tão importante?

O sistema tributário brasileiro atual é considerado um dos mais complexos do mundo. São milhares de normas diferentes, guerras fiscais entre estados, tributos que se sobrepõem e geram o famigerado efeito cascata. Resultado: produtos mais caros, burocracia para empresas e insegurança jurídica para todos.

A reforma vem para atacar três pontos centrais

  1. Crescimento econômico sustentável: simplificação reduz custos e litígios, liberando espaço para investimento.
  2. Justiça social e regional: a arrecadação passa a seguir o princípio do destino (onde o produto é consumido, e não onde é produzido), reduzindo desigualdades regionais.
  3. Transparência e simplicidade: as empresas passam a saber exatamente o quanto estão pagando de impostos, e os consumidores também.

 

O novo modelo: CBS, IBS e IS

A Reforma adota o sistema IVA Dual (Imposto sobre Valor Adicionado), utilizado em mais de 170 países. Ele concentra a tributação do consumo em três frentes:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que substitui PIS, Cofins e IPI.
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo estadual e municipal que substitui ICMS e ISS.
  • IS (Imposto Seletivo): imposto federal regulatório que incide sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (como cigarros, bebidas alcoólicas e derivados poluentes).

O que muda na prática?

  • Não cumulatividade plena: todos os impostos pagos ao longo da cadeia viram crédito. Isso significa que supermercados, por exemplo, poderão abater do imposto devido aquilo que já foi pago na compra de mercadorias, insumos ou até energia elétrica.
  • Transparência: os impostos passam a ser destacados por fora da nota fiscal, deixando claro quanto se paga de tributo em cada operação.
  • Neutralidade: o sistema não favorece ou prejudica setores específicos, evitando distorções.


Cronograma da Reforma Tributária na Precisa

 

Cronograma da transição

A implementação será gradual, justamente para dar tempo de adaptação. O calendário é o seguinte

  • 2025
    • Notas fiscais passam a ter campos para CBS e IBS.
    • Ajustes de sistemas começam a ser testados junto ao Serpro e Receita Federal.
  • 2026
    • Entrada em produção com alíquotas simbólicas (CBS 0,9% e IBS 0,1%).
    • Convivência entre sistema antigo (PIS, Cofins, ICMS, ISS) e novo (CBS, IBS).
    • Obrigatório para empresas de regime normal; optantes pelo Simples Nacional só entram depois.
  • 2027 a 2032
    • Fase de transição: redução gradual dos tributos antigos e aumento progressivo da CBS e IBS.
    • Extinção definitiva de PIS/Cofins em 2027; ICMS e ISS vão até 2032.
    • IS (Imposto Seletivo) entra em vigor em 2027.
  • 2033
    • Novo modelo consolidado.
    • Apenas CBS, IBS e IS em funcionamento.

Ou seja: até 2033, o Brasil terá dado adeus à confusão tributária atual.

 

Impactos diretos no varejo

Para quem vive o dia a dia do varejo, os impactos vão além da teoria:

1. Emissão de notas fiscais

Já em 2025, as NF-e precisam incluir os campos de CBS e IBS. Isso exige atualização de sistemas, validação de layouts e integração com o fisco. Erros podem gerar rejeição de notas e travar vendas online e no PDV.

2. Classificação tributária

A nova tabela de CST (Código de Situação Tributária) vai obrigar uma revisão completa do mix de produtos. Supermercados e lojas multissetoriais sentirão o impacto diretamente na precificação.

3. Gestão de créditos

Um dos pontos mais positivos: créditos fiscais poderão ser recuperados com mais facilidade e rapidez. Para grandes varejistas, isso pode significar mais fôlego no fluxo de caixa.

4. Negociações com fornecedores

A carga tributária muda de distribuição, o que pode alterar margens ao longo da cadeia produtiva. Empresas bem preparadas terão mais argumentos para negociar preços e condições.

5. Sistemas de gestão

Sem tecnologia adequada, a transição será um pesadelo. Sistemas ERP, emissores fiscais e módulos contábeis precisam estar prontos para operar em regime híbrido (antigo + novo).

 

Checklist para o varejo se preparar

Aqui vai um passo a passo para não ser pego de surpresa:

  • Sistemas: garanta que seu software de gestão está preparado para CBS/IBS.
  • Produtos: revise e recadastre sua tabela fiscal de mercadorias.
  • Créditos: estruture controles internos para aproveitamento dos créditos.
  • Equipe: treine colaboradores de fiscal, contábil e compras.
  • Financeiro: simule impactos no caixa e reavalie estratégias de precificação.
  • Fornecedores: abra conversas sobre novos custos tributários.

 

Oportunidades além da burocracia

É claro que a Reforma traz desafios, mas também abre portas para ganhos de eficiência. Segundo projeções oficiais, o Brasil pode crescer até 20% a mais em 15 anos, gerar até 12 milhões de novos empregos e reduzir desigualdades regionais

No varejo, isso significa:

  • Redução da carga burocrática e dos custos com compliance.
  • Mais clareza na formação de preços.
  • Operações mais enxutas e margens potencialmente melhores.

Quem começar a se preparar agora vai transformar a Reforma de dor de cabeça em vantagem competitiva.

Na Precisa, estamos acompanhando cada etapa da Reforma Tributária e já preparamos nossos sistemas para a transição. Nosso objetivo é simples: garantir que você cumpra as novas regras sem travar suas operações  e ainda aproveite as oportunidades desse novo cenário.

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